quarta-feira, maio 28, 2008
XXIII Jornada Diocesana da Juventude
A vida, este palco mágico da existência tem novo sentido e novo valor quando experimentamos a plenitude da felicidade, em que o nosso coração deixa de caber dentro de nós. Pois, foi exactamente isso que senti, quando na manhã do dia 17 de Maio, cheguei a Cujó- Castro Daire e me confrontei com o palco da jornada.
Nesta manhã foram os elementos do secretariado, alguns jovens da terra que acolheu a jornada e alguns animadores os primeiros a chegar ao local. Foram distribuídas tarefas e cada um ocupou o seu lugar, dispondo-se a dar o melhor de si para permitir a cada jovem a vivência de um dia inesquecível.
Os primeiros grupos de jovens começaram a chegar por voltas das 9:30. Propunham-se partir, fazendo caminho com objectivo claro, determinado e aliciante de chegar à meta, ao local do banquete, ao palco da alegria e da comunhão plena.
Assim foi-se sucedendo a chegada de todos os grupos e fizeram “caminho”. No caminho (percurso realizado pelos jovens até ao alto do Sr. da Livração) eram propostas várias actividades que visavam a reflexão, o recolhimento, mas também o convívio, a diversão, o espírito de grupo.
Este percurso foi alegremente dinamizado por alguns animadores juvenis, alguns jovens da terra e elementos do secretariado, mas contando sobretudo com a alegria de juventude de dezenas de jovens.
À medida que os grupos iam chegando dos diferentes pontos da diocese, a alegria, a animação, o entusiasmo, a expectativa, a força, o “ser jovem” de cada um, dando vida àquele caminho e magia ao seu caminhar.
Foram muitos os jovens que experimentaram partir nesta “aventura” fantástica e fazer daquela encosta um caminho de alegria, durante alguns minutos.
Mas, como em tudo na vida, todo o caminho implica uma chegada, uma meta. Assim foi, no final da daquela manhã, foram largas as dezenas de jovens que alcançaram a pretendida meta, onde o Pai a todos esperava de braços abertos, abraçando cada um com uma ternura e um amor incomparáveis e incalculáveis. Eis que, depois do cansaço da caminhada, a nossa fome e sede foram saciadas na Sagrada Eucaristia, que foi presidida pelo nosso querido Bispo, D. Jacinto.
A Eucaristia foi assim, o primeiro prémio para cada jovem, depois de um percurso em que todos chegaram vencedores.
A Eucaristia é aquele momento, pleno de encontro, de partilha, de comunhão, de magia, de graça… todas as palavras que possa utilizar para tentar descrever o que foi a “nossa Eucaristia” serão pequenas, redutoras… foi mágico, foi maravilhoso. É lindo ver tanta juventude, tantos rostinhos encantados, tantos corações apaixonados, tantas vidas generosas… e como explicar o bater acelerado dos nossos corações?! Estávamos pois perante o altar, prontos a ser semente lançada e a dar o fruto que o Criador desejar. È comovente sentir a força da vida da nossa juventude, esta vida que é dom e dádiva. A Eucaristia foi decorrendo e a cada instante nos sentíamos mais tocados pelo sopro de vida que o Espírito que invocávamos lançava sobre cada um de nós. Guardamos no coração a palavra de Deus e em seguida escutamos atenta e emocionadamente as palavras que o Senhor Bispo nos dirigiu com tanto carinho, entusiasmo e confiança. No momento de Acção de Graças, o nosso coração transbordou de alegria por poder agradecer ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo a vivência daquele momento único e irrepetível. Terminada a Eucaristia habitava em nossos corações uma certeza “ é bom estarmos aqui, quero falar de Ti a cada irmão”. Estou certa que tal como aconteceu com os apóstolos há mais de dois mil anos, também sobre nós desceu o mesmo Espírito que fará de nós discípulos e testemunhas até ao fim dos tempos!
A hora de almoço era a “etapa” que se seguia… e que bom que foi. Era muito bonito o cenário que se vislumbrava na hora de almoço, naquele local, muitos grupinhos bem juntinhos, davam aquele monte vida e alegria.
De tarde houve lugar para jogos tradicionais e também para apresentações feitas põe vários grupos. A animação foi constante.
Para terminar em beleza este dia maravilhoso, a oração do envio foi o desafio proposto. Neste momento além das graças que damos ao Bom Deus por tudo o que nos deu, sentíamos a necessidade de nos comprometer com Ele e ser ousados e determinados no momento de O seguir e anunciar, permanecendo determinados no momento da partida, certos do caminho que temos para percorrer e seguros que chegaremos ao coração de todos aqueles a quem mostramos com a vida a força da nossa fé, do nosso querer e do nosso amor.
Venha a próxima jornada, em Resende!...
Jovem, Cristo conta contigo!
Vem Experimentá-Lo connosco!
Nesta manhã foram os elementos do secretariado, alguns jovens da terra que acolheu a jornada e alguns animadores os primeiros a chegar ao local. Foram distribuídas tarefas e cada um ocupou o seu lugar, dispondo-se a dar o melhor de si para permitir a cada jovem a vivência de um dia inesquecível.
Os primeiros grupos de jovens começaram a chegar por voltas das 9:30. Propunham-se partir, fazendo caminho com objectivo claro, determinado e aliciante de chegar à meta, ao local do banquete, ao palco da alegria e da comunhão plena.
Assim foi-se sucedendo a chegada de todos os grupos e fizeram “caminho”. No caminho (percurso realizado pelos jovens até ao alto do Sr. da Livração) eram propostas várias actividades que visavam a reflexão, o recolhimento, mas também o convívio, a diversão, o espírito de grupo.
Este percurso foi alegremente dinamizado por alguns animadores juvenis, alguns jovens da terra e elementos do secretariado, mas contando sobretudo com a alegria de juventude de dezenas de jovens.
À medida que os grupos iam chegando dos diferentes pontos da diocese, a alegria, a animação, o entusiasmo, a expectativa, a força, o “ser jovem” de cada um, dando vida àquele caminho e magia ao seu caminhar.
Foram muitos os jovens que experimentaram partir nesta “aventura” fantástica e fazer daquela encosta um caminho de alegria, durante alguns minutos.
Mas, como em tudo na vida, todo o caminho implica uma chegada, uma meta. Assim foi, no final da daquela manhã, foram largas as dezenas de jovens que alcançaram a pretendida meta, onde o Pai a todos esperava de braços abertos, abraçando cada um com uma ternura e um amor incomparáveis e incalculáveis. Eis que, depois do cansaço da caminhada, a nossa fome e sede foram saciadas na Sagrada Eucaristia, que foi presidida pelo nosso querido Bispo, D. Jacinto.
A Eucaristia foi assim, o primeiro prémio para cada jovem, depois de um percurso em que todos chegaram vencedores.
A Eucaristia é aquele momento, pleno de encontro, de partilha, de comunhão, de magia, de graça… todas as palavras que possa utilizar para tentar descrever o que foi a “nossa Eucaristia” serão pequenas, redutoras… foi mágico, foi maravilhoso. É lindo ver tanta juventude, tantos rostinhos encantados, tantos corações apaixonados, tantas vidas generosas… e como explicar o bater acelerado dos nossos corações?! Estávamos pois perante o altar, prontos a ser semente lançada e a dar o fruto que o Criador desejar. È comovente sentir a força da vida da nossa juventude, esta vida que é dom e dádiva. A Eucaristia foi decorrendo e a cada instante nos sentíamos mais tocados pelo sopro de vida que o Espírito que invocávamos lançava sobre cada um de nós. Guardamos no coração a palavra de Deus e em seguida escutamos atenta e emocionadamente as palavras que o Senhor Bispo nos dirigiu com tanto carinho, entusiasmo e confiança. No momento de Acção de Graças, o nosso coração transbordou de alegria por poder agradecer ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo a vivência daquele momento único e irrepetível. Terminada a Eucaristia habitava em nossos corações uma certeza “ é bom estarmos aqui, quero falar de Ti a cada irmão”. Estou certa que tal como aconteceu com os apóstolos há mais de dois mil anos, também sobre nós desceu o mesmo Espírito que fará de nós discípulos e testemunhas até ao fim dos tempos!
A hora de almoço era a “etapa” que se seguia… e que bom que foi. Era muito bonito o cenário que se vislumbrava na hora de almoço, naquele local, muitos grupinhos bem juntinhos, davam aquele monte vida e alegria.
De tarde houve lugar para jogos tradicionais e também para apresentações feitas põe vários grupos. A animação foi constante.
Para terminar em beleza este dia maravilhoso, a oração do envio foi o desafio proposto. Neste momento além das graças que damos ao Bom Deus por tudo o que nos deu, sentíamos a necessidade de nos comprometer com Ele e ser ousados e determinados no momento de O seguir e anunciar, permanecendo determinados no momento da partida, certos do caminho que temos para percorrer e seguros que chegaremos ao coração de todos aqueles a quem mostramos com a vida a força da nossa fé, do nosso querer e do nosso amor.
Venha a próxima jornada, em Resende!...
Jovem, Cristo conta contigo!
Vem Experimentá-Lo connosco!
quinta-feira, abril 17, 2008
Criancinhas
A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às
litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe
o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la
porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à
frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha
que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica
traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter
do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem
dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho
sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas
ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao
hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.
Artigo publicado na revista VISÂO online
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em
festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às
litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito
como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe
o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta
metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la
porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com
os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à
frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A DEVIDA COMÉDIA
Miguel Carvalho
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência
meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em
sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são
«uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha
que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica
traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as
criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter
do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem
dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho
sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na
casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas
ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas,
das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao
hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo. E então teremos muitos
congressos e debates para nos entretermos.
Artigo publicado na revista VISÂO online
sexta-feira, novembro 09, 2007
Precisa-se de matéria-prima para construir um País
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós.
Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se defrauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar.
Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
Nós como povo.
Nós como matéria-prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se defrauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito.
Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame.
Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar.
Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa.
E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!
EDUARDO PRADO COELHO
terça-feira, outubro 02, 2007
Conselho Arciprestal da Juventude de Sernancelhe
Agenda das Actividades-Outubro de 2007 a Julho de 2008
* Poderam ser realizadas actividades que não estão no plano de actividades, que possam surgir ao longo do periodo de Outubro de 2007 a Julho de 2008
-13 de Outubro de 2007: Chegada da Cruz Ecuménica e Vigília -Igreja Matriz de Sernancelhe
2,3,4 e 9,10,11 de Novembro de 2007:
(Curso de Animadores no Seminário Maior de Lamego)
-15 de Dezembro, Curso de Socorrismo
-Dezembro - Ceia de Natal
-2,3,4 de Fevereiro de 2008: Convívio Fraterno
-10 de Fevereiro de 2008, Vigília de abertura da Campanha de solidariedade, em Lamego
-15 de Março de 2008: Via-Sacra Diocesana(Colaboração dos Jovens de cada arciprestado-
21 h:00 Lamego)
-16 Março de 2008: Semana Santa( Via Sacra do Arciprestado)
-26 de Abril de 2008: Festival Diocesano da Canção em São João da Pesqueira)
-3 e 4 de Maio de 2008: Fátima Jovem
- 15 de Julho a 15 de Agosto de 2008 Missão Verão Radical III, na paróquia da Cunha
* Poderam ser realizadas actividades que não estão no plano de actividades, que possam surgir ao longo do periodo de Outubro de 2007 a Julho de 2008
Conselho Arciprestal da Juventude de Sernancelhe
Destaque/Outubro 2007
Cruz Ecuménica
Igreja Paroquial de Sernancelhe | 13 de Outubro de 2007, 22h
"Uma Partida, um Caminho e uma Chegada"
Organização:
Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Lamego
Conselho Arciprestal Juvenil de Sernancelhe
(Jovens do Arciprestado de Sernancelhe)
segunda-feira, julho 23, 2007
A Maneira Certa de Perder a Vida
João César das Neves
(professor universitário)
Vivemos tempos muito estranhos. Na rotina passa despercebido, mas ficaremos na História como uma das idades mais insólitas. Prova disso é o facto de esta sociedade confirmar uma das frases mais assombrosas da humanidade.O nosso tempo é aquele em que mais gente se esforça por ganhar a sua vida. A ideologia dominante é a da realização pessoal, concretização de sonhos, promoção de projectos, carreiras, ideais, paixões. Manifestar a sua ambição é direito inalienável e decisivo de todos. Não a conseguir é miséria inaceitável. Da publicidade à educação, da ficção à política, tudo assegura que afirmar-se pessoalmente, impor a sua personalidade, ter sucesso, ganhar a vida é o sumo bem. O prazer é erigido em valor supremo e objectivo primordial. Pelo contrário, o pior crime é limitar a expressão alheia, prejudicar os sonhos de juventude, impedir o florescimento da liberdade. Vivemos o tempo da exaltação do apetite.Desse ardor ingénuo e cândido surge o fiasco. Porque os sonhos são sempre inatingíveis, as carreiras embatem em mil obstáculos, os projectos distorcem-se ao crescer. Assim, a grande maioria gasta a vida e desperdiça a felicidade em busca de uma ilusão a que julgava ter direito, mas que nunca atinge. A pirâmide alargou e elevou a base, mas continua tão afilada quanto antes. A nossa sociedade deixou de ser composta por humildes que não se atreviam a sonhar. Passou a ser de frustrados ruminando sonhos precocemente empolados.Aqueles poucos que vislumbram o objecto dos seus anseios reconhecem que ele é muito mais pálido e desinteressante do que parecia à distância. Os sonhos e projectos só são belos vistos de longe. A cor da realidade tem tendência a fazê-los fenecer. Afinal não era bem isto que a gente queria. Alguns desistem desanimados, outros buscam novas demandas, mas todos acabam desiludidos. Eles não sabem que o sonho, afinal, não comanda a vida.Esses são os afortunados, porque os mais infelizes alcançam e sentem-se realizados pelo que aspiravam. E então reduzem-se à tacanhez da sua ambição, ficam escravos dos seus desejos. Deixar-se deslizar para o marasmo do contentamento é viver a morte em vida. Confundindo embriaguez com felicidade, mergulham cegos no torvelinho do prazer asfixiante que, para se manter, exige novidades sempre mais perversas, acabando por devorar a própria identidade.A multidão desiludida vive a contemplação de uma elite de satisfeitos, suposta prova da ideologia dominante. Mas televisões e revistas não escondem as vidas esfarrapadas, a vacuidade e tolice dos famosos. Quanto mais se sabe sobre os poucos que dizem ter ganho a vida, tanto mais se mostra a perda radical que sofreram. Esta lição, sucessivamente repetida, tem de demonstrar alguma coisa, mesmo que a cegueira não o admita.Há dois mil anos foi dito: "quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la." (Mt 16, 25; Mc 8, 35; Lc 9, 24; cf. Jo 12, 25). Não se tratou de um conselho sábio, provocação tola ou oráculo paradoxal, pois ninguém entregou a sua vida de forma tão radical e depois a salvou tão espectacularmente. Discípulos ou inimigos têm de reconhecer que Jesus Cristo viveu e morreu por esta frase.Os vários séculos confrontaram- -se com a profecia da sua primeira parte, mas a dureza dos tempos recusava meios para a verificar. Só a prosperidade da sociedade do consumo e era da informação trouxe recursos para tentar a experiência, vendo depois as massas perderem-se na busca insana de salvar a vida. Hoje sabemos que, afinal, a frase não fixava um castigo. Limitava-se a constatar um erro: o egoísmo queima, o prazer cega, até o altruísmo seca.Felizmente, hoje como sempre, brilha também a verdade da segunda parte: o desprendimento e alegria da entrega total ao Bem absoluto. A felicidade de se saber, como todos, pessoalmente dilecto da divindade, que é Amor. A sabedoria na vida está em renunciar alegremente a si mesmo e aceitar cada passo, sorver cada percalço desta Via Sacra como um dom eterno.
sexta-feira, julho 13, 2007
Darfur
VIDAS REAIS
Samia Ramadan, 5 anos. Chora e pergunta todos os dias pelos irmãos que foram mortos pelos janjauid em Buram.
Zinat Abdu, 3 anos, diz que a casa onde vive agora é muito pobre comparada com aquela em que vivia em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma não tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar… nem leite.
Abd el Wahab e a Raqui, 7 ou 8 anos, trabalham com e como os adultos à entrada do campo refugiados de Kalma a fazer tijolos: «Quero trabalhar aqui, fazer e vender muitos tijolos para fazer uma casa para mim e meus avós.» Os seus pais e resto da família foram mortos pelos janjauid.
Ramadan estava prestes a casar com Leila quando vieram os janjauid… Destruíram, queimaram e levaram-lhe a querida noiva que nunca mais chegou a ver. Depois de dois anos Leila ainda estará viva? Talvez escrava? Quem sabe…
Abdu e Hachim bateram à porta da missão de Nyala era quase meia-noite. Afoitei-me e fui abrir. «Pedimos protecção por esta noite», dizem. Quase que falam ao mesmo tempo e têm pressa de entrar. «Os amigos dos jaunjauid sabem que estamos aqui na cidade». Abdu e Hachim fugiram de Greida onde se luta há 4 dias. Apareceu uma alma amiga que lhes deu guarida e protecção porque sabia o perigo que tanto eles como eu corríamos. Na manhã seguinte partiram para o sul. São sulistas e cristãos
Jamal viu-me à entrada do seu campo de refugiados em Kalma e perguntou: «Porque não multiplicais os esforços sanitários aqui? Falta de tudo, mas ao menos se houvesse algumas latrinas haveria muito menos risco de infecções e cólera…» É perigoso parar à entrada de um destes campos, eu sei. Mas eu queria ouvir alguém, falar, partilhar esperanças, pobrezas e riquezas. Que as há. De uma e outra parte. Num e noutro sentido.
Samia Ramadan, 5 anos. Chora e pergunta todos os dias pelos irmãos que foram mortos pelos janjauid em Buram.
Zinat Abdu, 3 anos, diz que a casa onde vive agora é muito pobre comparada com aquela em que vivia em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma não tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar… nem leite.
Abd el Wahab e a Raqui, 7 ou 8 anos, trabalham com e como os adultos à entrada do campo refugiados de Kalma a fazer tijolos: «Quero trabalhar aqui, fazer e vender muitos tijolos para fazer uma casa para mim e meus avós.» Os seus pais e resto da família foram mortos pelos janjauid.
Ramadan estava prestes a casar com Leila quando vieram os janjauid… Destruíram, queimaram e levaram-lhe a querida noiva que nunca mais chegou a ver. Depois de dois anos Leila ainda estará viva? Talvez escrava? Quem sabe…
Abdu e Hachim bateram à porta da missão de Nyala era quase meia-noite. Afoitei-me e fui abrir. «Pedimos protecção por esta noite», dizem. Quase que falam ao mesmo tempo e têm pressa de entrar. «Os amigos dos jaunjauid sabem que estamos aqui na cidade». Abdu e Hachim fugiram de Greida onde se luta há 4 dias. Apareceu uma alma amiga que lhes deu guarida e protecção porque sabia o perigo que tanto eles como eu corríamos. Na manhã seguinte partiram para o sul. São sulistas e cristãos
Jamal viu-me à entrada do seu campo de refugiados em Kalma e perguntou: «Porque não multiplicais os esforços sanitários aqui? Falta de tudo, mas ao menos se houvesse algumas latrinas haveria muito menos risco de infecções e cólera…» É perigoso parar à entrada de um destes campos, eu sei. Mas eu queria ouvir alguém, falar, partilhar esperanças, pobrezas e riquezas. Que as há. De uma e outra parte. Num e noutro sentido.
P. Feliz Martins
Missionário Comboniano no Darfur
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