sexta-feira, julho 13, 2007

Darfur

© Lusa
VIDAS REAIS

Samia Ramadan, 5 anos. Chora e pergunta todos os dias pelos irmãos que foram mortos pelos janjauid em Buram.

Zinat Abdu, 3 anos, diz que a casa onde vive agora é muito pobre comparada com aquela em que vivia em Bulbul e que no campo de refugiados de Kalma não tem ovelhas nem cabras para guardar e brincar… nem leite.

Abd el Wahab e a Raqui, 7 ou 8 anos, trabalham com e como os adultos à entrada do campo refugiados de Kalma a fazer tijolos: «Quero trabalhar aqui, fazer e vender muitos tijolos para fazer uma casa para mim e meus avós.» Os seus pais e resto da família foram mortos pelos janjauid.

Ramadan estava prestes a casar com Leila quando vieram os janjauid… Destruíram, queimaram e levaram-lhe a querida noiva que nunca mais chegou a ver. Depois de dois anos Leila ainda estará viva? Talvez escrava? Quem sabe…

Abdu e Hachim bateram à porta da missão de Nyala era quase meia-noite. Afoitei-me e fui abrir. «Pedimos protecção por esta noite», dizem. Quase que falam ao mesmo tempo e têm pressa de entrar. «Os amigos dos jaunjauid sabem que estamos aqui na cidade». Abdu e Hachim fugiram de Greida onde se luta há 4 dias. Apareceu uma alma amiga que lhes deu guarida e protecção porque sabia o perigo que tanto eles como eu corríamos. Na manhã seguinte partiram para o sul. São sulistas e cristãos

Jamal viu-me à entrada do seu campo de refugiados em Kalma e perguntou: «Porque não multiplicais os esforços sanitários aqui? Falta de tudo, mas ao menos se houvesse algumas latrinas haveria muito menos risco de infecções e cólera…» É perigoso parar à entrada de um destes campos, eu sei. Mas eu queria ouvir alguém, falar, partilhar esperanças, pobrezas e riquezas. Que as há. De uma e outra parte. Num e noutro sentido.

P. Feliz Martins
Missionário Comboniano no Darfur

quinta-feira, junho 21, 2007

Trovador de Deus


«Francisco de Assis é um grande mestre da nossa fé e do nosso louvor. Quando se apaixonou por Jesus Cristo, encontrou a face do Deus-Amor; tornou-se o seu cantor apaixonado e um autêntico “trovador de Deus”. À luz das bem-aventuranças, compreendemos a mansidão e a humildade com que se relacionou com outros, tornando-se testemunha e agente de Paz.»

Papa Bento XVI em Assis para a celebração do VIII centenário da Conversão de S. Francisco

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

NÃO: PARA NÃO APAGAR A CHAMA DA VIDA

A natureza não se contradiz: ela prepara a Mãe para acolher o filho no útero que o gera e desenvolvê-lo até estar apto e pronto para vir à luz. Por isso a vida do filho e a vida da Mãe não podem ser incompatíveis.
A vida humana é inviolável, desde a sua conceição até ao seu apagamento natural. A “CHAMA DA VIDA” é como a chama que só se apagará quando arder todo o pavio.
O filho nasce quando é concebido. Quando vem à luz, já tem nove meses de vida. Ele é o mesmo. Apenas passou de um berço para outro: do útero para o colo da mãe. Agora que veio à luz, não começou mas continuou a viver doutro modo os seus nove meses.
Será preciso vê-lo para lhe garantir o estatuto de vivente humano, de filho de seus Pais?
Quanto agradeceria a Europa, a braços com o flagelo do aborto e a epidemia do défice de natalidade que Portugal tivesse a coragem de proclamar a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até ao seu termo natural.
Portugal é a Terra de Santa Maria que há 360 anos proclamou sua Padroeira e Rainha com o Título de Nossa Senhora da Conceição. E faz agora 90 anos que Santa Maria, depois de ter dito em Lurdes que se chamava Imaculada Conceição, fez Portugal depositário – em Fátima – da sua Mensagem de Paz para o nosso tempo.
Esta mensagem sintetizou-a lapidarmente o primeiro Papa que visitou Fátima (Paulo VI) para ali deixar escrito em bronze:
HOMENS SEDE HOMENS: - na vida toda, desde a conceição até ao falecimento.

Que quer dizer e significa o NÃO?
- Para Portugal não pode haver aborto a prazo de semanas nem a qualquer prazo, porque a vida humana é uma chama que se acende na conceição de cada filho e brilha continuamente – sem interrupção – até se extinguir por si.

António José Rafael

SIM: PARA PORTUGAL SEGUIR A EUROPA

SIM: PARA PORTUGAL SEGUIR A EUROPA

Segundo o “SIM”, Portugal precisa de liberalizar o aborto para não se atrasar da Europa. Triste pecha portuguesa o complexo de Povo atrasado: impelidos pela força cega do seguidismo no afã de apanharmos os dianteiros nem reparamos que eles já voltam para trás, para corrigir o erro… Podíamos tirar partido do atraso, valendo-nos da experiência frustrada dos pioneiros, para não repetirmos os seus erros; mas não, queremos ir mais longe que eles… para sermos mais adiantados que eles.
É assim que o SIM faz uma proposta de liberalização do aborto – total e incondicional – que nem o País mais liberal fez: o aborto fica a ser de opção exclusiva, livre e inquestionável da mulher grávida.
E Portugal que se ufana, e com razão, de não consentir a morte do touro na arena, vai deixar sem protecção alguma, o nascituro no útero de sua Mãe, riscando no seu Código Civil o “direito de nascer”.
D. António José Rafael

SETE PERGUNTAS AO “SIM”

Porque nunca chama à grávida , mãe, e nunca fala do filho?
Porque fala da morte, embora excepcional, felizmente, das abortantes, e nunca refere a morte, sempre certa, e o número dos abortados?
Porque não aponta as consequências traumáticas – físicas e psíquicas – de todo o aborto, mas somente dos abortos clandestinos?
Porque não refere o efeito sinistramente multiplicador do aborto livre, a começar pela vizinha Espanha onde se fazem diariamente mais de 240 abortos?
Porque não refere a sondagem que mostra que 72% de mães que abortaram dizem que não teriam feito o aborto, se tivessem tido ajuda?
Porque não refere que os centros de Ajuda à Mães em dificuldade e os Berçários (Ajuda de Berço) do pós-referendo 98 conseguiram evitar 10.000 abortos?
E porque não diz o que fez o Movimento do SIM para ajudar as Mães em risco de abortar?
D. António José Rafael

SIM: LIBERALIZAR O ABORTO e NÃO: EVITAR O ABORTO

SIM: LIBERALIZAR O ABORTO
NÃO: EVITAR O ABORTO

As diferenças entre o SIM e o NÃO:
O SIM só protege a mulher, mas nem sequer lhe chama mãe, para ignorar
totalmente o filho.
O NÃO protege igualmente a mãe e o filho.

O SIM livra a mulher de qualquer responsabilidade e dispensa-se de a ajudar a
evitar o aborto, porque acha que é eficaz ajuda livrá-la da clandestinidade
e garantir-lhe gratuitos e competentes Abortórios (Clínicas de Aborto)
O NÃO garante ao filho direito de nascer, e consequentemente responsabiliza a Mãe na morte do nascituro, no sentido de ter de responder sobre as causas do abortamento do filho, a fim de serem remediadas;
e ajuda a mãe a remover todas as causas do abortamento para evitar a reincidência.

O SIM reduz o filho a um nada jurídico, retirando-lhe todo o direito de
nascer .
O NÃO atende à situação dramática da mãe em dificuldade (de toda a ordem),
e ajuda-a em todos os sentidos para evitar o aborto, porque não pode ser surdo ao apelo do “direito de nascer” do filho: - AJUDA A MINHA MÃE TÃO AFLITA A NÃO ABORTAR.
D. António José Rafael

AMBIGUIDADES E MANIPULAÇÕES DO “SIM”

Despenalização e a pena de prisão
Diz o SIM que vota a despenalização para livrar a abortante da pena da cadeia. Mas
para abolir a pena de prisão não é forçoso despenalizar o delito.
Basta substituir a pena da cadeia por outra mais humana e adequada à transgressão, como fez Portugal quando aboliu a pena de morte.

Despenalização e desresponsabilização
Diz o SIM que despenaliza a abortante para não ser incriminada no tribunal.
Pode e deve criar-se um enquadramento legal e instituição judicial própria e adequada à situação traumática e dramática da morte de um filho, para se inquirir das causas que levaram ao abortamento e tomar as previdências necessárias para evitar a reincidência.
Nunca se pode desresponsabilizar, isto é, dispensar o infractor de responder pela infracção, a não ser que seja mentecapto.



Não ao aborto CLANDESTINO
É o mais triste exemplo do abuso manipulador e insidioso para camuflar o seu propósito e ao mesmo tempo o justificar.
Se o SIM é contra o aborto, podemos ficar tranquilos.
De maneira nenhuma. Não vês que o SIM só diz aborto clandestino? Só quer acabar com os clandestinos, e de uma vez por todas.
Mas como? Muito simplesmente – diz o SIM, desafivelando a máscara: - Pondo todos os abortos à vontade libérrima da grávida e respectivos “Abortórios” à discrição.
No delírio da sua sinistra “invenção” do extermínio indultado dos nascituros, nem se deu conta o SIM do alçapão armadilhado do limite das 10 semanas: - e que vai fazer-se com os abortos depois das 10 semanas?
D. António José Rafael